Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010

Origens do nome Macau

Macau é palavra composta possivelmente de “Má” ou “A-Má” (“A”, prefixo usado pelos chineses antes dos nomes de pessoas; “Má” = mãe), e “cau”. “Má” relaciona-se com a deusa protetora dos marítimos, venerada pelos chineses no velho templo “Má-Kók-Mil” (Pagode da Barra, para os portugueses), templo, provavelmente, anterior à chegada dos portugueses e que servia de abrigo temporário a pescadores.
O étimo “A-ma-ngao” ou “A-ma-ngau” é o mesmo proposto no século XVI e XVII pelo Padre Mateus Ricci, e por outros missionários e historiadores. Do cantonense “A-ma-ngao”, ou “A-ma-gau” para os portugueses, teríamos “Amagau > Amacau > Macau”. Não se trata, porém, de evolução natural, uma vez que as oclusivas sonoras não passam a surdas.
É mais provável que em lugar da designação de “Baía de A-Má” se empregasse “Embocadura de A-Má”, expressão em que se empregaria “Hau” (boca, embocadura). Daí teríamos “A-Ma-Hau”, com “h” aspirado pelos fuquienenses (da província de Fuquiem), passando a “A-Ma-K' au”, com “k” aspirado, explicando-se a forma “Amacau”.

Nos escritos do século XVI aparecem as variantes “Amaquam”, “Machoam” e “Amagão”. A forma “Amaquam” estaria documentada por Fernão Mendes Pinto, na carta de 20/11/1555. Seria o documento português mais antigo em que surge o nome de Macau. Na carta escrita de Macau pelo Padre Belchior Barreto, em 23/11/1555, estaria registrada “Machoam”. Há dúvidas, porém, quanto à estada de Fernão Mendes Pinto ou do Padre Belchior Barreto em Macau.
Austin Coates propõe a seguinte explicação para o nome Macau: “Má Kó”, a “Ancestral Avó”, padroeira dos pescadores, ouviu as preces destes, quando, apanhados por um tufão, foram desviados das suas zonas de pesca. Ofereceram preces a Má Kó e chegaram salvos ao porto de abrigo. Construíram, então, um relicário em honra de Má Kó, como prova de gratidão à deusa. Posteriormente surgiu um templo de dimensão maior, um dos pontos de referência em terra. Este local, em dialeto fuquienense, era designado por “Má Kó Cau” (enseada da Ancestral Avó), cuja abreviatura “Ma Cau” deu origem ao nome da futura cidade.
No dialeto cantonense ainda hoje se usa “Ou-Mun” (Porta da Baía) para designar Macau.

texto retirado do blog Macau Antigo

Terça-feira, 5 de Outubro de 2010

Voltei a Hong Kong



É verdade! Aproveitando o feriado do Dia da China fugi de Macau e voltei a Hong Kong para retemperar algumas forças. Foram três dias cheios de tudo. LOL
O primeiro dia foi passado, basicamente, em Hong Kong. Visitei o aviário da cidade, subi ao edifício do Banco da China, andei de teleférico até ao pico mais alto da cidade, andei pelas ruas, masquei a maior pastilha que alguma vez vi na vida (parece que ainda me dói os maxilares só de pensar), fiz compras e acabei a noite a jantar do outro lado do mar, em Kowloon. O repasto incluiu canivetes, vieiras e carne de porco.
O dia seguinte foi dedicado mais a passear pelas ilhas. Direitinho de Hong Kong para Lantau (o metro de HK é muito bem distribuido e rápido). Após 45 minutos numa fila interminável, apanhei o teleférico que me levou da cidade até ao Big Buddha. Qual imponente estátua no meio das montanhas. O calor nesta altura tornara-se insuportável mas não me fez desistir de subir umas centenas de escadas até chegar ao topo do monumento. Paisagem até perder de vista! Parei, survi e desci. Cá em baixo estava um templo à minha espera para ser visitado. Cores, cheiros, sons... tudo em plena harmonia e os que passavam por lá iam rendendo os seus incensos e as suas preces ao seu Deus.
Rapidamente se chegou à hora de almoço. Apanhado o autocarro o destino foi Tai O, uma típica aldeia piscatória, onde as casas estão suspensas em estacas em cima da água e onde tudo está revestido de misticismo. O almoço, já um pouco tardio, implicou a escolha prévia de caranguejos e peixe nos aquários que costumam estar à porta das tradicionais casas de repasto. Uma dica: para se comer bem e bom escolhemos sempre os restaurantes onde estão mais chineses.
O início da digestão coincidiu com uma bela caminhada que me levou até ao topo de uma montanha, onde supostamente iria ver golfinhos rosas (espécie em vias de extinção - estimam-se apenas 180 exemplares). O caminho, por um trilho bem arranjado com chão de xisto (ai as minhas lembranças de Góis...), estava aqui e ali pontuado com campas no meio da densa vegetação e com pinheiros, imagine-se. A tradicional árvore mediterrânica deve ser sido introduzida na região pelos colonos ingleses e portugueses. As campas, essas, criaram em mim alguma confusão mas rapidamente me apercebi que é uma questão cultural por estas bandas colocar os entes mortos espalhados pelas encostas das montanhas. No topo da montanha, um mini-pagode permitiu descansar e olhar o horizonte. Golfinhos nada! Libélulas muito!
De volta à pequena povoação preparei-me para tentar ver, uma vez mais, os tais golfinhos e fui de lancha até alto mar. Em vão. Por outro lado consegui desfrutar de um magnífico pôr-do-sol. Estava feito o dia. Regressei a Hong Kong com a sensação de dever cumprido. Esperava-me um jantar no centro da cidade (o pior jantar que comi desde que aqui estou) e uma noite de cerveja no "Bairro Alto" cá do burgo. Muito som, muita confusão, muita bebida. É assim Hong Kong à noite e a cerveja ali, tão barata, para ser consumida. Duas horas depois... caminha!
No último dia, já de checkout feito no hotel, fui até ao Ocean Park. Que maravilha. Um autocarro apanhado no centro da cidade leva-me até ao parque temático num abrir e fechar de olhos. De repente estou no sul da ilha. O parque está caracterizado com alusões ao Dia das Bruxas. Vejo aves, peixes, ando de montanha-russa, de teleférico, etc... Mas apenas ao fim da tarde teria a eterna recompensa. Pandas gigantes ao vivo. Este animal, a par dos pandas vermelhos, estão em vias de extinção e todos os cuidados são poucos na sua manutenção em cativeiro. As pessoas acotovelam-se para ver tais animais. De facto, é uma benção poder vê-los ao vivo. Obrigado!
Mais umas voltas e outras tais, com um algodão doce na mão, devolvi-me à remetência. Ainda tinha que voltar a Hong Kong e só depois Macau. Nos entretantos jantei no Old China Hand, o pub britânico mais antigo e carismático da cidade e disfrutei uma massagem tailandesa de 1h aos meus pés. Aconselho!